quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sobre adaptações

As perguntas que mais ouço (leio) são: vocês estão se adaptando aí? e o frio? e Giulia na escola?

Posso dizer que a melhor coisa que fizemos foi chegar no meio do período letivo. Como assim? Está maluca? Caímos na rotina dois dias depois de chegarmos aqui. E foi ótimo! Não deu tempo de sentir a mudança em toda sua plenitude.

Ainda estamos meio acampados. Nossa mudança já saiu do Rio (o "já" parece meio deslocado na frase, demorou mais de um mês para ser liberado e zarpar). Deve chegar na Alemanha no final do mês.

O frio... bom, o segredo é ter um casaco grande o suficiente para caber depois das 9 camadas de roupa e, ainda assim, ser leve para não impedir seus movimentos. Coisas simples, como pegar as chaves no bolso ou validar o ticket do trem. Susana, minha cunhada maravilhosa, previu isso e arranjou um casaco exatamente assim. São duas camadas de nylon com recheio quentinho e bem leve.

Nós saímos de cada parecendo umas almôndegas, mas protegidas do frio, do vento e de uma eventual chuva.

Giulia está conseguindo se comunicar na escola. Os professores estão seriamente empenhados para que ela tenha sucesso e, até onde eu pude ver, todos esperam que ela complete o 4o. ano em um semestre.

Percebo que ela está mais segura e confiante, o que é ótimo. Os "spelling tests", nossos conhecidos ditados, estão cada vez com menos erros. E, uma vez que ela conseguiu entender os significados dos termos matemáticos, tem resolvido as tarefas sem problemas.

O esquema de disciplinas da escola é bem interessante. Eles têm matemática, inglês, alemão, artes e uma matéria que mistura história e geografia, mas é tudo integrado ao tema central. Por exemplo: Giulia chegou no meio da unidade 3 do 4o. ano, Civilizações Antigas. Pegaram os Jogos Olímpicos, um tema atual, e introduziram o estudo da Grécia. Na aula de artes, as crianças reproduziram uma peça de cerâmica grega, usando giz pastel. Em linguagem, eles estão com a tarefa de criar um livro sobre o assunto, o que gera pesquisas nas aulas de multimídia. E tudo vai se mesclando e deixando o assunto altamente convidativo para a criança.

Giulia ganhou de aniversário (obrigada, Yara!) uma versão infantil da Odisseia. E leva o livro para a escola e tenta ensinar palavras em português para os colegas. Outro dia, chegou em casa e foi para a internet pesquisar os deuses gregos.

Estamos no caminho certo! E ela, rumo à conquista do mundo!!!






segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Retrospectiva Anton Corbijn

Ainda no Rio, tinha visto que haveria uma exposição com trabalhos do fotógrafo Anton Corbijn, aqui em Berlin, até dia 31/01.

Não vou mentir: me interessei pelo trabalho dele depois que vi que havia dirigido clips do Depeche Mode que eu amo. lá pelo final da década de 80.

Com a internet, ficou mais fácil descobrir que Anton Corbijn fotografou muita gente interessante. E dirigiu uma penca de clips e filmes sensacionais. Então, informação da retrospectiva devidamente anotada! Vamos chegar em Berlin a tempo e vai ser tudo lindo!

Só que chegamos num domingo e a semana começou com coisas para resolver e aula na terça. Final de semana passado, ficamos montando móveis. E a exposição acabaria ontem... então, vamos cedo para lá!

Moramos longe do centro. Mais ou menos 5 minutos caminhando e chegamos a uma estação de trem. E, como o transporte público, aqui, é bastante confiável, não é um longe que incomoda. Em 20 minutos chegamos lá. Já tínhamos comprado o ingresso online e, apesar de estar perto da hora do almoço, achamos melhor ir logo - o que foi ótimo, já que, mais tarde, passamos por lá e a fila começava a se formar do lado de fora do espaço

O local da exposição, C/O Berlin, é um espaço, se não me engano, especializado em mostras de fotografia. Tem uma micro livraria com muito material sobre o assunto.


A exposição... tudo o que eu imaginava e mais! Não entendo de arte. Não sei se é bom ou se vale alguma coisa. Gosto do que me emociona. E o trabalho que eu vi ontem me tirou o fôlego em vários momentos. Não fotografei muito, estava ocupada me encantando com toda aquela arte. Saí de lá impactada.

Giulia ia lendo os cartões que identificavam quem estava nas fotografias e, a cada nome que ela reconhecia, ia ficando mais ligada... até que a fome falou mais alto e uma sequência de "falta muito?", "estou cansada" e "estou com fome" deu o programa por encerrado.






sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Mercado

Quem me conhece, de verdade, sabe que eu ODEIO ir ao mercado. Já estou ouvindo vozes "como? ir ao mercado é tããããão bom!!!" ou então "eu adooooorooo! passo hoooooras vendo as mercadorias". Eu, não. Quando invento de fazer algum prato diferente, uma receita nova, vou com gosto, escolho os ingredientes e pronto. Mas, pro dia a dia, acho um saco!

Aqui, continuo sem gostar. Mas, como estou sem poder trabalhar e tenho tempo livre, acho justo passar por cima da minha irritação e comprar comida. Aproveito e fico aprendendo nomes de legumes, frutas e verduras... vale para alguma coisa.

Então, utilidade pública: vou passar algumas coisas que aprendi nesses 11 dias de vida berlinense.

1. carrinhos - eles ficam presos, por uma correntinha com trava, ao carrinho da frente. Para liberá-los, coloque uma moeda de 1 euro no compartimento e, pronto! Faça suas compras com calma, passe pelo caixa, guarde tudo e devolva o carrinho. Quando você prendê-lo, sua moeda volta para você. Algumas pessoas usam uma ficha de plástico para liberar o carrinho. Eu tenho usado uma moeda de 50 centavos brasileiros e funciona direitinho. Antes que falem que "já tem brasileiro fazendo coisa errada na Alemanha", volto a dizer: a moeda é só para soltar o carrinho e algumas marcas de produtos dão uma ficha de plástico com esse objetivo. Então, nada errado, mesmo!
É bom saber que, em aeroportos o processo é o mesmo. Então, separe sua moedinha quando desembarcar por aqui. Vai precisar...




2. caixa - o mercado que temos aqui, perto de casa, tem 2 caixas. Só! E a fila não demora. Mas, como? A pessoa do caixa registra suas compras, passa pro outro lado e você, ou quem estiver com você, joga tudo de volta no carrinho. Se você quiser sacola, leva a sua ou compra uma no mercado. Isso mesmo: não tem sacola plástica! Eu costumo levar a minha e, depois que eu pago as compras, vou para um espaço próprio para arrumar tudo na minha sacola.
Não tente arrumar suas coisas na esteira do caixa. Vai receber olhares esquisitos. E vai provocar a tão odiada demora na hora de pagar as compras...

3. "máquina que eu não sei o nome" - já tinha visto alguns vídeos sobre isso. É o seguinte: você junta garrafas de vidro ou plástico e latinhas. Quando for ao mercado, leva tudo. Coloca, uma por uma, com o código de barras para cima, no espaço adequado. Rola alguma leitura e isso vai gerando um valor. Quando acabar, aperta o botão verde e um papel, com um valor impresso, sai. Esse valor pode ser usado para complementar o pagamento das compras ou trocado por dinheiro no caixa.


Isso me leva a um outro ponto: tem muita gente que cata garrafas pela rua. É comum andar por aí e ver garrafas vazias encostadas em muros, beiradas de calçadas e canteiros de plantas. Isso acontece porque, sabedoras disso, as pessoas preferem deixá-las ali, esperando serem recolhidas, do que jogá-las fora. O interessante é que essas garrafas podem ser trocadas, na hora, por produtos de mercado. Cata umas garrafinhas e leva um pão para casa. Não tem que sair procurando uma cooperativa de catadores, nem fazer cadastro para ser aprovado em cinco dias para receber uma carteirinha e ter direito a vender latas e garrafas e complementar a renda...

O difícil é dar uns passos para trás, mudar a perspectiva e ver que as coisas podem funcionar, é só querer.

Berlinense não segura a porta pro outro passar. Mas deixa suas garrafinhas para quem precisa levar uma grana extra ou um litro de leite para casa.

Aproveitando o tema, achei no mercadinho perto de casa:


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Cabelos

Cabelo é um assunto que todo mundo entende. Alguns podem não se lembrar mais, mas já tiveram que lidar com isso...

No frio, frio mesmo, frio alemão, meu cabelo resolve ficar lindo. Sério. Brilho certo, volume controlado, tudo nos conformes.

Comprar shampoo não chega a ser difícil, já que eu uso o mesmo Elseve há décadas e a L'Oréal facilita minha vida mantendo a embalagem mais ou menos parecida no mundo inteiro.

Então, como justificar a opacidade do cabelo dos alemães? É impressionante como falta brilho nas cabeças germânicas...

Alemães não fedem. Ando de trem quase todo dia, caminho bastante e sempre cruzo com pessoas na rua e ainda não precisei franzir o nariz. Giulia estuda numa escola britânica, com britânicos e nenhum cheiro ruim paira por lá.

Mas os cabelos estão me impressionando... Roberto diz que eles tomam banho, mas daí a lavar os cabelos é um enorme passo. Pensando assim, deve ser uma mistura de poeira com umidade, grudada nos fios até que chegue o dia de lavar a cabeça. Imagino que exista um, nem que seja mensal...


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Divagando...

A escola onde Giulia está estudando não fica em um prédio lindo. É um prédio normal, com crianças alegres pelos corredores, professores aparentemente satisfeitos nas portas das salas esperando seus alunos. Nada demais. Até hoje, eu não tinha percebido o que realmente tinha me encantado no prédio. Hoje, notei que a escola não tem muros nem porteiros...




Mudei meu caminho na volta para casa e fui por uma rua mais movimentada. As casas também não têm muros altos. Uma cerca na altura da minha cintura é suficiente para que todos fiquem tranquilos.




Uma das coisas que mais me incomodava, ultimamente, no Rio, era a atmosfera de medo em que todos viviam. Se cruzássemos na rua com uma pessoa "estranha" a reação imediata era segurar a bolsa com mais força e quase gangrenar a mão da criança. Ainda não percebi isso por aqui.

Mesmo com toda onda de terrorismo que apareceu pela Europa, não vi nenhum tipo de atitude que demonstrasse esse medo aqui em Berlin.

Caminhar pelas ruas do bairro, respirar paz e tranquilidade, isso não tem preço.

Boas notícias: fui a um mercadão e consegui fazer compras. Até entendi o que a mocinha do caixa me perguntou e consegui responder!

Outra: recebi e-mail da empresa de mudança dizendo que nosso container foi liberado! Embarque previsto pro dia 29!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Aventuras...

Hoje o dia rendeu!

Giulia na escola, Roberto no trabalho, Claudia com enxaqueca... Meu estoque ultra limitado de remédios me fez entrar em desespero: nenhum, eu disse NENHUM analgésico!!! Se eu estivesse com alguma disposição, teria descido e feito gestos para mostrar para a farmacêutica o que realmente significa uma mulher à beira de um ataque de nervos.

Ou, eu poderia colocar mãos à obra e fazer as coisas que eu tinha programado para hoje. Então, vamos!

Montei a estante que vai ficar na entrada de casa. Assim, evita que entremos com os sapatos sujos e molhados. Coloquei o tapete deliciosamente felpudo que vai compor o cantinho...

Limpei a casa. Devo ter demorado uns 40 minutos! No Rio, era o dia inteiro... a euforia durou só até eu me lembrar que nossa mudança ainda vai chegar e, certamente, vou sentir falta do espaço. Mas, isso é história para daqui a uns dias.

Consegui montar a loja online!!!! Ainda não vou divulgar o endereço porque não consegui postar muitos produtos. Mas, ela já está lá... meu espacinho no mundo das compras virtuais. E isso é só o começo!

Hora de pegar Giulia e ir para Spandau. Vamos tirar fotos para o visto. Mas, para conseguirmos isso, tenho que comprar o bilhete do trem e não me perder até chegar ao estúdio fotográfico. A primeira parte foi um sucesso. A segunda, demorou um pouco, já que eu andei pro lado errado. Mas percebi a tempo e conseguimos tirar as fotos.

Mercadinho, casa, jantar e dar o dia por encerrado.

Em tempo: experimentei o Bionade de Limão e Bergamota (Zitrone und Bergamotte) e achei bastante parecido com 7 Up. Por enquanto, é meu favorito!!!



domingo, 24 de janeiro de 2016

Sai a neve, entra a lama...

Hoje, esquentou! Estamos com temperatura acima de zero!

E o resultado foi uma criança triste porque a neve derreteu e caminhos cobertos de lama...

Tivemos mais um dia de IKEA. Comprar coisinhas para enfeitar a casa e continuar a arrumação do quarto da Giulia. Aproveitamos para almoçar por lá.

Mantendo a tradição de aproveitar o final de semana para experimentar coisas novas, resolvi provar um "refrigerante" alemão: Bionade. Existe uma enorme variedade de sabores dessa bebida e eu fui na de Ingwer Orange (gengibre com laranja). AMEI! Nem um pouco doce e bem refrescante. Vou procurar os outros para escolher meu favorito.

A comida do restaurante da IKEA é bem gostosinha, preço honesto. Dá para aproveitar e comer por lá mesmo quando for fazer compras.

Por causa de uma compra grande (camas), recebemos um cartão carregado com créditos para usarmos. Pelo que eu entendi, não dá para usar em qualquer compra, mas rendeu um bom desconto hoje.

Já em casa, partimos para leitura do livro emprestado pela biblioteca da escola. E vamos aumentar vocabulário!