segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Quando a confiança é uma regra

4 situações:

1. Quando Giulia começou a frequentar a escola, nós sabíamos que ela teria um período de 3 dias numa espécie de adaptação. Seria, então, avaliado se ela ficou bem para ser oficialmente uma aluna da BBS.

Muito bem. Passado esse período, nós recebemos um cartinha informando que a adaptação foi um sucesso e, só então,  recebemos os valores e as informações para pagamento.

Tomamos um susto quando vimos que o valor a ser pago, de uma vez, era o total da matrícula mais dois períodos. Imaginem ter que pagar a matrícula e um semestre de escola de uma tacada só!

Peguei o papelzinho e, no dia seguinte, fui conversar com a responsável pelo setor financeiro da escola. Expliquei que estávamos acostumados a pagar mensalidades e seria difícil pagar de uma vez. Ela me disse que a matrícula deveria ser paga naquele momento e seria possível dividir cada período em 3 parcelas.

Só isso. Não rolou um "vou ter que conversar", "você pode justificar?", nada disso. Para ela, parece óbvio que não vamos colocar a educação da nossa filha em risco. Construímos uma relação de confiança com a escola.

2. 6a. feira, indo pro trabalho, Roberto teve que correr para não perder o trem. Viu que estava sem o crachá. Me mandou mensagem, pedindo para dar uma procurada em casa. Nada.

Refiz o caminho dele até a estação e lá estava o crachá. Tinha sido encostado no corrimão da escada por alguém que o encontrou no chão.

Já tinha reparado, nas minhas caminhadas diárias, diversas luvas perdidas, colocadas nas árvores ou nas cerquinhas das casas. Comentei isso com Roberto e a resposta foi: as pessoas que encontram objetos perdidos, deixam por perto para que haja possibilidade do dono recuperar. Quando se parte do pressuposto que ninguém vai roubar, você pode fazer isso.

Não estou falando de uma mochila que poderia conter uma bomba e, por isso, ninguém vai mexer. Eu falo de um crachá, de uma luva...

3. Recebi, na mesma 6a. feira, a ligação do mocinho da mudança dizendo que as coisas seriam entregues hoje e teríamos que pagar as tarifas alfandegárias (nós sabíamos disso, estávamos preparados). Por causa do pouco tempo, poderíamos fazer uma transferência ou pagar diretamente pro encarregado pela entrega, hoje. O dinheiro estava disponível e Roberto resolveu transferir logo. Recebemos o email de confirmação e tudo certo para hoje.

Quando a equipe chegou, o encarregado falou que tínhamos que pagar as tais tarifas. Roberto explicou que o dinheiro tinha sido transferido na 6a. Ele nos olhou e falou: ok.

Claro que deve ter ligado pro escritório para confirmar, mas não duvidou da nossa palavra, não pediu para ver documentos que comprovassem, não foi rude nem por um instante.

4. Dia desses fui comprar ovo. A mocinha da caixa percebeu que um ovo estava quebrado. Registrou minhas compras, eu paguei e voltei para trocar a caixa de ovos. Ninguém foi comigo, não precisei esperar nenhum funcionário de patins fazer a troca para mim.

Percebo que, aqui, as relações são permeadas por confiança e isso me agrada muito. A regra é que a maioria age honestamente, assim como no Brasil. A diferença é que, aqui, o normal é se preparar para lidar com a regra e não assumir que todos são desonestos e vão tentar aplicar algum golpe.

Vamos confiar! As pessoas merecem!

2 comentários:

  1. Suas palavras me emocionaram. Que experiência linda estão vivendo. Essa regra da confiança é deliciosa de sentir na prática, no cotidiano,mas coisas simples até as mais complexas.

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  2. Suas palavras me emocionaram. Que experiência linda estão vivendo. Essa regra da confiança é deliciosa de sentir na prática, no cotidiano,mas coisas simples até as mais complexas.

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